A importância dos pais no ensino com bebês no ambiente aquático

A importância dos pais no ensino com bebês no ambiente aquático

Dña. Catarina Rosa Francisco Rodrigues Góis. Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação pela Faculdade de Motricidade Humana – Universidade de Lisboa (Portugal). Mestre em Ciências da Fisioterapia pela Faculdade de Motricidade Humana – Universidade de Lisboa (Portugal). Especialista Universitaria en Educación Acuática por la Universidad Miguel Hernández (España). E-mail: catarinagois@netcabo.pt

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Ao longo dos anos tem sido significativo o aumento da procura, por parte dos pais, de atividades aquáticas para os seus bebés (Martins, Moreira, Silva, Aidar, Miranda Neto, & Vieira, 2006).

Del Castillo (2001) diz que muitos pais procuram dar aos seus filhos uma maior possibilidade de êxito, procurando programas de estimulação precoce com o intuito de lhes proporcionar um melhor desenvolvimento.

Ainda assim, parece não existir evidência que comprove um particular benefício da prática de atividades aquáticas no desenvolvimento dos bebés (Numminen e Saakslahti, 1997).

Ainda assim, Sarmento (2001) refere que “A prática desta atividade aquática desenvolve a segurança, aumentando o conhecimento e domínio do seu corpo, favorecendo a comunicação do bebé com o adulto e com as outras crianças, melhorando assim a qualidade de vida de um modo geral”.

Nas aulas de Natação para Bebés (NB), os pais têm um papel fundamental no tipo de experiências que as suas crianças têm (Partridge, Brustad, Stellino, 2008; Sarmento e Montenegro, 1992) e assumem um lugar de extrema importância para o bem-estar do bebé e para a sua segurança (Espada, 2019), devendo proporcionar aos seus bebés um bom contacto corporal, acompanhado de palavras reconfortantes e de uma expressão corporal e do rosto positiva (Sanz e Sanz, 2006).

Os pais, através do seu vínculo, da sua sabedoria espontânea e do envolvimento afetivo natural, são um importante pilar do processo de ensino-aprendizagem (Espada, 2019).

Não deve ser deixado de ter em conta a razão pela qual os pais procuram a NB e as suas expetativas relativamente às aulas, pois ambas são diferentes de pai para pai, e têm efeito sobre a sua forma de estar na aula e sobre a forma como desempenham o seu papel, devendo ser compreendidas (Moulin, 2007; Poli, 2001; Zhao et al., 2005).

Também é importante que os pais conheçam a metodologia aplicada durante as aulas e, que tenham feedback dos técnicos de natação para que se consigam posicionar e ajustar às necessidades.

De acordo com Soares e Barbosa (2002) na NB, o professor ensina os pais e não os bebés, ensinando-os a estimular os seus filhos de acordo com o nível de adaptação e desenvolvimento, sendo também necessário que o professor entenda a relação do(s) progenitor(es) com o seu bebé.

Para além da estimulação motora, cabe também aos pais fazer a gestão emocional dos seus bebés. Se após uma imersão o bebé chora, os pais devem reagir a esse choro de forma adequada, transmitindo alegria, entusiasmo, confiança e aprovação para demonstrar o seu contentamento e estimular a continuidade (Soares & Barbosa, 2002), uma vez que a criança é o reflexo emocional dos pais, e que ao perceber qualquer insegurança, reage com medo (Bresges, 1980), o que condicionará futuramente a sua participação nas aulas.

Os pais não devem em nenhum momento, mesmo achando os seus filhos muito competentes, relaxar deixando-os sem vigilância, pois nestas idades poucos são os que conseguem desenvolver aptidões de auto-salvamento (Soares & Barbosa, 2002).

Moreno, Pena & Castillo (2004) identificam como principais funções do adulto acompanhante (pai/mãe/outro) do bebé ao longo das aulas os seguintes pontos:

Entusiasmar-se com cada nova aprendizagem e demonstrá-lo efusivamente. Sendo a criança o reflexo emocional dos pais há que permanecer ativo e dar feedbacks ao bebé para que ele se sinta motivado para as tarefas e aprendizagens: “Muito bem bebé” e um sorriso na cara poderá ser o suficiente.

Respeitar o seu ritmo de aprendizagem, mesmo que seja lento. De acordo com a literatura, crianças diferentes têm ritmos de aprendizagem diferentes. Assim, cada pai deve focar-se no seu filho e não exigir nem de mais nem de menos, respeitando o seu nível e desenvolvimento (Soares & Barbosa, 2002) não criando situações de frustração.

Estabelecer uma comunicação continua com a criança. O bebé precisa de sentir a presença do adulto, comunicar poderá ser pelo toque ou palavras, que devem ser permanentes da parte do adulto, por exemplo cantarolar de forma animada cantilenas que a criança conheça.

Transmitir confiança e segurança. Os pais/adultos, são os responsáveis pelo bem-estar e segurança do bebé são eles que fazem a gestão emocional dos bebés: sorrir ou dar um feedback positivo depois de uma situação de desconforto fará com que o bebé se sinta confiante e seguro.

Ouvir e por em prática as indicações do professor. Soares e Barbosa (2002) referem que o professor ensina os pais e não os bebés, ensinando-os a estimular os seus filhos, o pai é o mediador entre o bebé e o professor.

Assegurar a coerência entre os objetivos e os meios para consegui-lo. Compete aos pais fazer a gestão daquilo que são os objetivos transmitidos pelo professor e a forma como gere do ponto de vista emocional o seu bebé devendo ter em consideração todas as anteriores funções que lhe competem.

Numa fase precoce da vida do bebé e face à atividade aquática, os pais têm uma importância fulcral na tríade bebé/professor/pai ou mãe, tendo a seu cargo a importante tarefa de mediar a relação do seu bebé com a água.

Referências

Bresges, L. (1980). Natação para o meu neném. Rio de Janeiro: Livro técnico.
Del Castillo, M. (2001). La experiencia acuática en la primera infancia como aprendizaje motor enriquecedor del desarrollo humano: un estudio en la Escuela Acuática Infantil del INEF de Galicia. Tesis doctoral, INEF Galicia, Universidad de La Coruña.
Espada, M. (2019). Caracterização dos pais e perceção dos mesmos sobre aulas de natação para bebés. Revista UIILPS, 7(2). https://doi.org/10.25746/ruiips.v7.i2.19314
Fraga, A. (2011). Atividades Aquáticas para Bebés. Um mergulho em busca de outras realidades. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Martins, M., Moreira, A., Silva, A., Aidar, F., Miranda Neto, J. T., & Vieira, M. (2006). Caracterização do desenvolvimento de crianças (6-36 meses) participantes em aulas de adaptação ao meio aquático para bebés. Motricidade, 2(2), 91-98.
Moreno, J. A., Pena, L., & Del Castillo, M. (2004). Manual de actividades acuáticas infantiles. Barcelona: Paidós.
Moulin, J. P. (2007). Bebés-nagerous: effects des séances de piscine sur le développement du jeune enfant. Journal de Pédiatrie e Puériculyute, 20, 25-28.
Numminen, P. & Sääkslahti, A. (1997). Análisis on the changes of motor activity in infant swimming. En VII International Symposium on Biomechanics and Medicine in Swimming. Atlanta, 18-23 de octubre de 1994.
Partridge, J. A., Brustad, R., & Stellino, M. B. (2008). Social influence in sport. In: T. S. Horn (eds), Advances in sport psychology (Terceira edição, pp. 269 – 295). Champaign, IL: Human Kinetics.
Poli, P. (2001). Natação para bebês, infantil e iniciação: uma estimulação para a vida. São Paulo: Phorte, 2011.
Sanz, M.; Sanz, M. (2006). Tu Hijo y el Água: Natación Precoz para bebés e ninõs. 1ª edição. Buenos Aires: Ediciones B.
Sarmento, P. (2001). A experiencia motora no meio aquatico. Algés: Ominiserviços Representações e Serviços.
Sarmento, P. & Montenegro, M. (1992). Adaptação ao meio aquático. Lisboa: Edição da Associação Portuguesa de Técnicos de Natação.
Soares, S. & Barbosa, T. (2002). Natação para Bebés. A necessidade de uma ação conscientemente dirigida. 25 Congresso da associação Portuguesa de Técnicos de Natação.
Vieira, A. (2014). Percepção dos pais quanto ao desenvolvimento afetivo-social da criança a partir da prática da natação. Brasília: Centro universitário de Brasilia.
Zhao, S., Xie, L., Hu, H., Xia, J., Zhang, W., Ye, N., Chen, B. (2005). A study of neonatal swimming (water therapy) applied in clinical obstetrics. The Journal of Maternal. Fetal & Neonatal Medicine, 17(1), 59-62.

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